Vitimização


     O mundo contemporâneo é o mundo das vítimas, mas pelo fato de muitos se enxergarem como vitimas do que pelo fato de realmente serem vitimas de algo ou alguém, este é o mundo dos fracos, dos oprimidos, dos ofendidos, nesse mundo a força, a riqueza, a inteligencia ou qualquer outra forma de superioridade é criminalizada, estar nos patamares mais altos hoje é para muitos um problema moral. Lembro-me de de um dia na faculdade onde na aula de introdução as ciências sociais o professor ao explicar a teoria positivista, antes, nos advertiu se tratar de um pensamento pró Nazista e pró Fascista pois parte do pre suposto que alguns são superiores à outros, será que isso é uma completa mentira? Quando falo de superioridade não me refiro a uma superioridade intrínseca e absoluta de determinados indivíduos em relação a outros, simplesmente reconheço que a vida é um amontoado de perspectivas, de setores, e que nesses setores ha superioridade, quando se trata de inteligencia é inegável que uns são mais inteligentes que outros, quando se trata de força física é inegável que uns são mais fortes que outros, quando se fala disposição é inegável que uns são mais dispostos que outros, por essa razão ha desigualdade em tudo, incluindo a desigualdade econômica. Para aqueles que alimentam e se alimentam da cultura da vitimização desigualdade é o problema moral de todos os povos, especificamente a econômica, mas ao contrario da pregação dominante o problema não é a desigualdade é a pobreza.

     Não sou positivista, apesar de estar convencido pelos fatos de que a desigualdade é algo natural eu não creio jamais que tal coisa deva ser tratada com o extremismo de se pensar que justifique a normalização da miséria humana frente a uma pequena parcela de homens superiores possuidores de poder e riqueza como prega o darwinismo social do positivismo, é justamente a miséria que ataco, uma vez que o problema não é a desigualdade então o problema é a pobreza extrema, se por um lado acredito na desigualdade em alguns aspectos da vida em outros acredito na igualdade, sou um adepto da ideia de Direitos naturais, creio que todos os seres humanos nascem igualmente munidos de direitos inalienáveis e fundamentais, como a vida, o de adquirir propriedade privada, de trabalhar, de ser instruído, de opinar, mas o grande problema desse mundo dos oprimidos é que agora todo direito se tornou fundamental, ideia essa simplesmente ridícula pois pensando sobre a natureza de um país podemos chegar a conclusão que um Estado democrático é um ambiente composto por grupos de interesses distintos e muitas vezes conflitantes e que para a convivência pacifica vão abrir mão de perceptivas de direitos menos importantes para consagrar direitos mais importantes, por isso quando os grupos ou algum dos grupos começam a ter todo direito como fundamental a desestabilização dessa sociedade é algo iminente e sem dúvidas sera traumática.

     Hoje à um culto ao mais fraco, hoje é preferível proteger o fraco ao torna-lo forte, realmente o mais fraco precisa de proteção mas não para perpetuar suas fraquezas, o mais pobre precisa ser protegido mas não para que ele tenha paz para morrer na pobreza, mas para que ele possar buscar riquezas e para isso precisamos entender que as pessoas não podem ser divididas entre vitimas e algozes, a humanidade é vitima e algoz de si mesma, todos nos por um lado sofremos e por outro fazemos sofrer, por isso não ha necessidade de dividir o mundo entre maus e bons. As pessoas nascem pobres e nus, a pobreza é a condição primaria de qualquer homem e o progresso é o principal feito de nossa raça, progredir é ir de encontro a algo melhor, isso significa que o lucro e a riqueza não é o motor da pobreza como muitos pensam, por isso as pessoas hoje em geral são muito mais prosperas das pessoas que viveram nesse mundo 200 anos antes de nós, mas tudo isso é posto em risco quando diferentes grupos não conseguem mais chegar a um denominador comum, um ambiente de paz é essencial para produção de riquezas e a paz é posta em risco quando as pessoas não conseguem abrir mão de determinados anseios e querem sagrar tudo que querem como direitos fundamentais.

     A ideia de romantização da fraqueza entrega munição a uma das piores ideias que a humanidade já teve, o coletivismo, se todos se tornarem fracos então somente a união trará força, o conceito tem até sua beleza mas a história mostra o quão perigoso é sacrificar as individualidades em nome do coletivo, uma vez que um coletivo forte é antes de tudo um individuo forte. Hoje as ciências sociais afirmam que o homem é produto da sociedade, mas a sociedade é o conjunto de indivíduos que se relacionam uns com os outros de forma organizada, logo o individuo constrói a sociedade que só pode ser um espelho de seus construtores, por isso a lógica deve ser invertida, a sociedade é produto dos homens, não nego que o meio influencia o que as pessoas se tornam mas não levo essa realidade as ultimas consequências, pois a sociedade é criação humana e é tão verdade que o homem molda mais a sociedade do que o contrario que todos que propões mudanças sociais começam mudando a mentalidade e a prática dos indivíduos, atualmente pregasse que os homens tem que se livrarem das amarras da sociedade tradicional, que são opressoras, por exemplo, o que a sociedade diz ser mulher oprime o individuo e sendo assim o conceito clássico de feminilidade pode ser mudado, essa ideia vem do conceito da sociedade que molda o homem mas na verdade é a prova de que o homem molda a sociedade, pois ela mostra justamente que na verdade o que a sociedade diz é o entendimento dos seus indivíduos e que se muda uma sociedade mudando os indivíduos que a compõe, por isso a ideia da valorização da fraqueza é perigosa, ela faz com que as pessoas não consigam sustentar todo um país já que incapazes de lidar com as complexidades da sociedade civil elas vão criar sub grupos que as representam e vão digladiar com outros sub grupos sem conseguir chegar a um denominador comum.

                                       
                                                                                                              Atos Henrique Fernandes

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