Desenhando uma potência


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     O Brasil é um país grande e com enorme potencial diplomático, já fomos uma respeitável liderança regional durante o Regime Militar, mas desde a redemocratização nossos governos foram aos poucos jogando fora nossa credibilidade e capacidade de projeção de poder, analisa-se os fatores que contribuiram para o fracasso do país em conseguir um assento permante no Conselho de Segurança da ONU e o que pode ser feito para, no mínimo, nos tornamos uma potência regional, de fato, em 10 anos. O primeiro erro que nos custou a posição de potência regional e até mesmo global foi a opção da assembléia constituinte de 1988 de proibir a nação de ter armas nucleares, a lógica é simples, quem não tem armas nucleares está completamente nas mãos de quem as possui ainda mais num contexto onde as instituições multilaretais estão tão enfraquecidas, o regime norte coreano só não caiu pelo fato de eles possuírem poder nuclear. O governo FHC deu sua contribuição com a derrocada diplomática do país afastando do governo e desprestigiando ao máximo as forças armadas e investindo todas as fichas em um mercado comum do sul com um amontoado de países pretecionistas e estatizantes, criação equivocada de governos anteriores. Por fim o governo Lula submeteu a nação à lógica ideológica deturpada do Bolivarianismo, abrindo mão de qualquer possibilidade de uma liderança legítima na América do Sul.

     É impossível qualquer país do mundo excercer algum tipo de relevância diplomática sem ter um razoável poderio militar, ignorando completamente essa lição básica os governos de esquerda que o Brasil teve nas últimas décadas assistiram ao sucateamento militar sem tomar qualquer iniciativa com capacidade real de reverter essa condição, talvez por realmente acreditarem em um futuro pacifista para mundo ou, talvez, por vingança pela repressão que enquanto militantes de esquerda sofreram nos governos militares. Enquanto Colômbia firmava uma exitosa cooperação militar com os Estados Unidos e a Venezuela com a Rússia, FHC e Lula que governaram num tempo de prosperidade renegaram as necessidades das forças armadas, Lula até criou um programa de modernização mas ,além de pequeno, ainda era foco de corrupção como mostram as investigações sobre os caças suecos GRIPEN-NG comprados para a Força Aérea Brasileira, o resultado do sucateamento militar é que nesse momento o páis esta fragilizado. Ainda somos a força de defesa mais bem equipada da América Latina, mas não estamos tão a frente como deveriamos o que nos debilita em caso de ataque conjunto dos nossos vizinhos, e claro, nos deixa a mercê das grandes potências.

     A Guerra Fria refletiu a seguinte dinâmica geopolítica por parte dos EUA e da antiga URSS, a zona de influência soviética era caracterizada por regimes unipartidários e ditaduras personalistas e a zona de influência norte americana por democracias liberais, salvo algumas exceções. Após o colapso da União Soviética a Europa Oriental se viu livre da cortina de ferro e aderiu à democracia liberal e a economia de mercado e os EUA assumiram o protagonismo global. Após o começo do século XXI ou um país se alinhava com os EUA ou com Rússia e China, mas como um país democrático poderia se alinhar com duas autocracias? Seria uma completa incoerência, mas o Brasil do PT resolveu se alinhar com Rússia e China no plano global e no plano regional resolveu apostar na criação de um bloco ideológico de esquerda, o Bolivarianismo, para resumir essa orientação, trata-se de uma visão eminentemente anti-americana, anti-democrática e anti-liberal onde a esquerda chega ao poder pelo voto, e chegando ao poder aparelha as instituições e passa a ter o controle indireto da economia. No plano Bolivariano não há espaço para um país líder, somente para um membro igual, nessa perspectiva o Brasil abriu mão de qualquer empreitada por liderança e apostou todas as fichas no chamado socialismo do século XXI e na integração economica do MERCOSUL, o resultado não podia ser outro que não se tornar um anão diplomático.

     Rússia e China são as novas potências mundiais que buscam ameaçar a hegemonia dos Estados Unidos, ambos são frutos de uma reflexão político-filosófica e da implementação de um plano geopolítico. Vladmir Putin é fruto de um movimento chamado Neo-eurasianismo que planeja o renascimento de uma Rússia forte das cinzas da União Soviética. Xi Jinping é fruto do plano da oligarquia comunista de se tornar até 2050 a nova super potência econômica e militar do planeta, não é atoua ele fez voltar a China o personalismo governamental, que havia morrido com Mao Tse Tung, ao ser aprovado como presidente vitalício Chinês. Conhecer a história das novas potências que emergiram no final so século XX ajuda-nos a compreender o fracasso brasileiro, não houve um plano nacional e sim um muito falho plano regional ancorado em conceitos soviéticos ultrapassados, o Brasil não fez seu dever de casa no plano militar, não fez seu dever de casa na diplomacia e por fim, também não fez seu dever de casa na política interna. A atual constituição começou a ser desenhada para um país parlamentarista, mas essa idéia foi abandonada no meio do caminho por razões completamente fisiológicas e a carta magna se tornou uma colcha de retalhos, resultado disso é um executivo federal musculoso em relação aos demais entes federativos e frágil frente ao Congresso Nacional, o Congresso por sua vez é um amontoado de partidos sem ideológias pensando sempre nas próximas eleições e a Suprema Corte além de não congregar as melhores mentes do Direito ainda se fragmentou a ponto de ali haver uma busca desenfreada por protagonismo em detrimento do colegiado.

     Não é uma surpresa que o Brasil não tenha alcançado seu maior objetivo dos últimos anos, conseguir um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, surpresa é um grupo de políticos e intelectuais afirmarem que isso se dá  exclusivamente ha uma oposição dos EUA e não há sucessivos arros na condução da política externa. O pacto social democrata de 1988 chegou ao fim como mostram os resultados eleitorais de 2018, não existe hora melhor para se pensar uma nova estratégia para, em 10 anos, nos tornar-mos uma potência regional, esse plano passa pela modernização das forças armadas, alinhamento ideológico com os Estados Unidos e a reforma política com liberalização da econômia, mas como fazer um eficaz plano de futuro para o país? Já houve tais planos, o de Getúlio Vargas e o dos militares em 1964, ambos centralizadores e estatistas, já se vê uma consciência nas pessoas em relação a nocividade do estatismo o que é preciso agora é compreender que em uma nação tão grande e complexa a centralização só levará ao fracasso, nesse sentir faz-se necessário salientar a urgente missão de regionalizar o poder para um desenvolvimento mais igual e duradouro em todo país.


Atos Henrique Fernandes

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