O pior é ficar inerte?


     No Brasil já há algum tempo tem se propagado a ideia de que quem não protesta nas ruas está inerte em relação aos problemas políticos e sociais do país, e que inércia é ausência de cidadania e sinal de alienação. É importante salientar que esse raciocínio predomina em grupos mais a esquerda do espectro político e que protestos desses grupos se resumem em fechar as vias das cidades impedindo o direito a ir e vir da população, gritar palavras de ordem através de aparelhos de som, subir em monumentos, pichar a cidade e em muitas vezes se utilizar da violência contra as forças de segurança e promover a destruição de patrimônio público e privado, essas praticas são amplamente difundidas em ambiente acadêmico, sempre como atitudes ideias de um cidadão se inspirando na França, sim a França sempre é elencada como grande exemplo de cidadania onde as pessoas tendo seus direitos ameaçados saem as ruas depredando toda a cidade.
   
     Então para entender a mentalidade da esquerda brasileira, vamos entender os protestos franceses, aparentemente sempre que ha problemas sociais naquele país, todos se armam e saem as ruas quebrando tudo, então os governantes maldosos e influenciados pelo maléfico sistema capitalista desistem de suas pretensões e se curvam a vontade popular e é exatamente assim que muitos professores ligados a partidos de esquerda explicam na sala de aula a cidadania francesa aos estudantes, os incitando a fazerem o mesmo, o problema da esquerda é que qualquer um que se debruça sobre a história francesa percebe que não é bem assim. As relações politicas e sociais na França seguem um padrão em toda democracia liberal, mas que são mais gritantes devido sim a uma exacerbação muito superior da violência de alguns grupos em relação a grupos semelhantes em outros países, sendo isso fruto do processo histórico iniciado com a Revolução Francesa.

     O primeiro ponto é que quando há impasses políticos na França todo o povo não sai promovendo quebradeira nas cidades, assim como aqui é sempre um pequeno grupo de pessoas ligadas a sindicatos e com apoio de estudantes universitários de esquerda, pois lá assim como aqui existe uma influencia muito grande do marxismo sobre a academia, e assim como no Brasil esses grupos sabem que são a minoria, então eles se utilizam da violência para a priori aumentar a visibilidade dos protestos e a posteriori tornar refém a grande parcela da população que não se envolveram no levante. Em segundo lugar é preciso notar que essas reações violentas dos sindicatos e de estudantes não geram em nenhum grau subordinação dos governantes à agenda dos manifestantes radicais, pois estes sabem que o consenso será feito através das instituições democráticas e quanto aos radicais se reservará a força policial para manter a lei e a ordem.

     Também é preciso se conhecer o conceito de émeute, que em termos gerais seria uma reação emocional em forma de protesto violento contra situações em que se entende que a ordem social e econômica vigente age opressivamente contra indivíduos, geralmente jovens, que estão vivendo a margem da sociedade. os protestos émeute na França parte em geral de jovens imigrantes ou descendentes de imigrantes que vivem em periferias, são adeptos do islamismo e não se sentem e muitas vezes não querem serem integrados a sociedade francesa e se vêem frustados pelo desemprego, fracassos escolares e perseguidos policialmente. Muitos dos protestos violentos na França nos últimos tem haver com esse fenômeno social.

     Chegamos então no ponto central da questão,a ideia de que deve o povo brasileiro seguir o paradigma da violência cidadã francesa, nesse artigo podemos compreender que o Brasil já vive esse paradigma, aqui assim como lá quando surge impasses políticos uma pequena parcela da população composta por membros de sindicatos, militantes partidários e estudantes desprezam por razões ideológicas as instituições democráticas e saem as ruas a promover quebradeiras e violência afim de assumirem uma legitimidade que eles não tem de falar em nome do povo, e sempre em nome do povo quebram os bens do povo, incendeiam os ônibus que transportam o povo, quebram os comércios do povo, quebram os pontos onde o povo espera ônibus e fazem tudo isso contra os políticos a favor da população que ficam reféns desses grupos intrinsecamente não democráticos. Talvez o que seja preciso é se entender que democracia e republicanismo é melhor revolução e socialismo.

                     
                                                                                                          Atos Henrique Fernandes  


http://www.scielo.br/pdf/ts/v18n1/30008.pdf 
         
http://brasil.elpais.com/brasil/2016/05/19/internacional/1463675821_718095.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u89355.shtml

https://medium.com/democratize-m%C3%ADdia/por-que-os-protestos-na-fran%C3%A7a-n%C3%A3o-ganham-aten%C3%A7%C3%A3o-na-m%C3%ADdia-brasileira-54a01b319770

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